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Janeiro Branco: população brasileira é a mais ansiosa do mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: 25% dos brasileiros enfrentarão desafios relacionados à saúde mental em algum momento de suas vidas. Dados da OMS apontam que 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão e que a população brasileira é a mais ansiosa do mundo: 9,3% das pessoas sofrem, sofreram ou ainda vão sofrer de algum episódio de ansiedade extrema. Este cenário é particularmente relevante para os profissionais da saúde, cujo compromisso com o bem-estar alheio muitas vezes os coloca em risco.


Dados anteriores à pandemia já apontavam episódios depressivos como a principal causa de pagamento de auxílio-doença não relacionado a acidentes de trabalho, correspondendo a 30,67% do total, seguida de outros transtornos ansiosos (17,9%). Contudo, se antes o declínio da saúde mental dos brasileiros já chamava atenção de pesquisadores e órgãos de saúde, a situação sofreu um agravamento após a pandemia de Covid-19. Agora, além dos impactos sociais do isolamento, das perdas e da carga excessiva de trabalho, também lida-se com as sequelas cerebrais da Covid-19: lapsos de memória, depressão e ansiedade são alguns dos problemas que podem estar relacionados às infecções pelo vírus. 


Outro levantamento, feito pela Vittude, (plataforma online voltada para a saúde mental e trabalho), aponta que 37% das pessoas estão com estresse extremamente severo, enquanto 59% se encontram em estado máximo de depressão e a ansiedade atinge níveis mais altos, chegando a 63%.


Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

A ansiedade está relacionada ao modo de funcionamento do corpo humano e/ou às experiências em sua vida. O transtorno pode se apresentar de várias formas e com sintomas distintos, sendo o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) um dos mais comuns. Ele é caracterizado pela preocupação excessiva ou pela expectativa com muita aflição, persistente e muito difícil de controlar. 


No TAG, os medos e as preocupações são constantes e duram por, pelo menos, doze meses, incluindo o período de descontinuação (desmame) dos medicamentos. Essas emoções levam a pessoa a um eterno estado de alerta, causando cansaço extremo no corpo e na mente. Os sinais mais comuns são irritabilidade, dificuldade para se despreocupar, cansaço físico e mental extremos e problemas de sono.


Durante a infância e adolescência, o transtorno de ansiedade generalizada pode causar problemas na performance escolar, além de receios como medo de terremotos, guerras e fantasmas. Na vida adulta, as preocupações elevadas concentram-se no trabalho na vida financeira, doenças e responsabilidades.


Além da ansiedade generalizada, a ansiedade pode moldar-se em diferentes transtornos, como pânico, ansiedade social, agorafobia, estresse pós-traumático, estresse agudo, entre outros. 


Impacto do trabalho na saúde mental

O trabalho é um potencial fator de promoção da saúde mental a partir do contato social, do senso de esforço e propósito coletivos e da identidade social, mas também pode contribuir para o adoecimento psíquico. Condições como sobrecarga de trabalho, falta de instruções claras, insegurança no emprego e condições de trabalho em isolamento são alguns dos aspectos que mais pesam na saúde mental dos trabalhadores.


Em relação aos profissionais da saúde, o cenário é ainda mais específico. Muitas vezes, em meio à missão de cuidar dos outros, os aspectos psíquicos são negligenciados. Ansiedade, depressão e síndrome de Burnout (ou síndrome do Esgotamento Profissional) são transtornos comuns nesse grupo, refletindo a pressão e as demandas intensas da profissão. Segundo estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 86% dos profissionais da saúde pública brasileira sofrem com síndrome de Burnout e 81% com estresse. Má qualidade de sono, sintomas depressivos e dores pelo corpo também conquistaram um alto índice de menções na pesquisa.


A ansiedade afeta significativamente a qualidade de vida desses profissionais. A depressão, por sua vez, pode comprometer a capacidade de lidar com o estresse inerente à prática da medicina. Já a síndrome de Burnout, resultante da exaustão física e emocional, pode levar à redução da empatia e eficácia no atendimento.


Praticando o autocuidado

É crucial reconhecer que priorizar a saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesmo e com os pacientes. Ao atuar proativamente na promoção da saúde mental, profissionais da saúde não apenas beneficiam a si mesmos, mas também fortalecem a capacidade de fornecer cuidados de qualidade. Estratégias como terapia, exercícios físicos regulares e técnicas de gestão de estresse são fundamentais para mitigar esses desafios. Afinal, um profissional mentalmente saudável é mais capaz de oferecer empatia, compreensão e tratamento eficaz.


Fontes: OMS, Ministério da Saúde, Cofen, Conselho Nacional de Saúde, Blog Afaya


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