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Uso da inteligência artificial nas técnicas de reprodução assistida

A inteligência artificial tem sido utilizada de variadas formas na saúde, como na melhora da agilidade e da precisão de diagnósticos, no atendimento ao público, dispensação e administração de medicamentos e, claro, nas pesquisas científicas. Contudo, é o uso da inteligência artificial nas técnicas de reprodução assistida que mais tem chamado mais atenção. Continue lendo para saber mais.


O que é inteligência artificial?

Também chamada de IA, o termo inteligência artificial se refere ao conjunto de softwares com alta capacidade de interpretação e análise de informação em grandes volumes de dados. Seu grande diferencial é a capacidade de perceber variáveis e tomar decisões, assim assemelhando-se ao raciocínio dos seres humanos.


Uso da inteligência artificial nas técnicas de reprodução assistida

No Brasil e no mundo, a IA tem sido utilizada para buscar melhores taxas de sucesso na área da medicina reprodutiva e aceleração do processo. Isso é possível a partir da seleção otimizada de espermatozóides, criopreservação e avaliação de embriões e óvulos, assim como de fertilização assistida e testes genéticos pré-implantação.


Futuramente, outro potencial uso da IA na medicina reprodutiva é a criação de um banco mundial de dados que, com alta qualidade de precisão, pode ser capaz de conectar as informações de pacientes e doadores com mais facilidade. Hoje a disponibilidade é um dos maiores problemas para a reprodução assistida, que ainda possui muitos dados em arquivos físicos.




  1. Seleção de embriões

A avaliação precisa da viabilidade do embrião aumenta a taxa de gravidez e otimiza os tratamentos de fertilização in vitro. Utilizando a IA, a incubadora Time-Lapse (EmbryoScope Plus) permite uma avaliação contínua do embrião em desenvolvimento após o processo de fertilização. A evolução é acompanhada por meio de fotografias, registradas de 10 em 10 minutos, e que resultam em um vídeo ao final de 24 horas - tudo sem necessidade de exposição exterior pelo embriologista. No método tradicional, a classificação de embriões é feita por embriologistas que inspecionam manualmente as imagens em busca de um conjunto de características visualmente detectáveis.


  1. Ovodoação

A inteligência artificial também pode beneficiar a ovodoação. Um exemplo é o uso de um aplicativo de IA capaz de analisar centenas de pontos na face da receptora e combiná-los com as fotos do banco de dados de uma clínica de medicina reprodutiva. Desta forma, somente as doadoras com características mais semelhantes serão escolhidas para realizar a doação de óvulos. Da mesma forma, técnicas semelhantes podem ser utilizadas para escolher tipo sanguíneo, altura, cor de cabelo etc.


  1. Avaliação de óvulos e sêmen


Esta especialidade tem recebido uma grande variedade de estudos envolvendo o uso da IA que podem revolucionar a avaliação de óvulos e sêmen. Existem diferentes limitações, mas sem dúvidas uma grande vantagem é o registro do uso de algumas abordagens não invasivas em estudos, as quais permitem manter a estabilidade do material humano.


Brasil mantém pesquisas na área


Por aqui, há 11 anos uma pesquisa tem desenvolvido recursos de inteligência artificial (IA) para auxiliar o trabalho de embriologistas na seleção dos embriões com mais chances para uma gestação de sucesso. Conduzida pelos pesquisadores Marcelo Fábio Gouveia Nogueira e José Celso Rocha, ambos do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp, a pesquisa recentemente ganhou nova divulgação na revista Fertility & Sterility, na qual foram apresentados bons resultados com o treinamento de dois sistemas de inteligência artificial, ambos pertencentes à categoria das redes neurais artificiais. Segundo o Jornal da Unesp, eles realizaram um bom trabalho na identificação dos blastocistos humanos (embriões entre o quinto e o sexto dia de desenvolvimento) com melhores chances de promover a gestação e o nascimento.


Em 2022, uma das pesquisas em curso sobre o assunto chamou atenção no 25º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, realizado no Rio de Janeiro, no qual conquistou a segunda colocação. A apresentação oral “Prediction of fetal heartbeat through artificial intelligence and morphological, morphokinetics and patient variables”, conduzida pela estudante de mestrado Dóris Spinosa Chéles no Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp) e coordenado pelo professor da Unesp Marcelo Fábio Gouveia Nogueira, tem como objetivo usar técnicas de IA para determinar qual embrião fertilizado in vitro têm mais chance de estabelecer uma gestação ao ser transferido para a paciente. Para chegar à predição de gravidez por batimento cardíaco fetal, a previsão é usar a aplicação de variáveis oriundas de três fontes distintas em um software baseado em inteligência artificial.



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